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Capa Corpo a Corpo com o concreto
  • Preço
  • 38.00
  • Nº Páginas
  • 134
  • ISBN
  • 9788588338975
ApresentacaoAutorLivroFragmentos

Romance > Corpo a Corpo com o concreto

A cidade cresceu demais, e nada indica que o processo de adensamento urbano vá inverter o seu sinal. A paisagem de São Paulo é fantástica, seus caminhos são fragmentados e as dimensões colossais de suas estruturas concretas impõem aos moradores uma rotina de deslocamento incessantes.
Bruno Zeni nasceu em curitiba(PR), em 1975, vive em São Paulo desde 1989. Publicou o volume de poesia em prosa O Fluxo Silencioso das Máquinas(Ateliê Editorial,2002) e o livro-reportagem Sobrevivene André du Rap(Labortexto Editorial, 2002), em parceria com José André de Araújo.
Corpo a corpo com o concreto é um romance de ficção constituído de duas histórias que se relacionam. A primeira delas é a de um morador de rua anônimo; ele vive em condições elementares de sobrevivência e vaga pela cidade imerso em pensamentos fraturados de alto teor existencial e afetivo. A outra é a de Romário Ribeiro: jornalista de vinte e cinco anos, conhecido por Roma, que passa por período de instabilidade profissional, familiar e amorosa. Narradas em primeira pessoa pelos dois protagonistas, as duas histórias vão se compondo alternadamente e resultam uma peça ficcional sobre um espaço urbano fragmentado, sobre o trabalho e o primeiro amor em uma metrópole brasileira, sobre as possibilidades de atuação na São Paulo do começo do século XXI.
[...] Andei um dia, o dia se foi, veio a noite, depois outro dia, e não tive remédio nem comída, sem sono nem sons, sem pouso nem voo, apenas a cidade inteira á frente, tudo que nela vivi e que nela pensei,tudo que se foi durante os séculos, o sol e a chuva primordiais, o solo raso de pedra e terra, o chão incrustado de concreto, o piso percorrido de casco e rodas, o ar cheio das vozes de ontem, as marcas do passado nos prédios, minha pequena morte em outro corpo e a recusa ao que me criou-minha paternidade afrontada, minha maternidade vencida, meus irmãos ausentes, meu corpo sujo de história, meus trapos rasgados de tempo, meus pés feridos de andar sem destino, meus olhos vazios de objeto. Ando por aí.