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Capa A Vida é Assim
  • Preço
  • 22.00
  • Nº Páginas
  • 66
  • ISBN
  • 9788588338033
ApresentacaoAutorLivroFragmentos

poesia > A Vida é Assim

A Vida é Assim, quinto livro de poesia do autor Alberto Pucheu, construído entre a poesia e prosa, tocando o pensar, a escrita e o viver, em textos que se confundem entre a experiência cotidiana e filosófica do homem finissecular, sempre com grande beleza.
Alberto Pucheu nasceu em 1966, no Rio de Janeiro. É professor de Teoria Literária, da UFRJ, e escritor.Tem os seguintes livros lançados: Na Cidade Aberta (1993, UERJ), Escritos da Frequentação (1995, Ed. Paignion), A Fronteira Desguarnecida (1997, Sette Letras), Ecometria do Silêncio (1999, Sette Letras), Guia conciso de autores brasileiros (2002, Fundação Biblioteca Nacional), este último em parceria com Caio Meira. Pela Editora Azougue lançou os livros A Vida é Assim, Escritos da Indiscernibilidade, A Fronteira Desguarnecida e Pelo colorido, para além do cinzento.
"A Vida é Assim" é um poderoso livro de poesia, dos mais poderosos que a língua portuguesa produziu nos últimos anos, e dá-me especial prazer que venha do Brasil, país que desde há pelo menos meio século está na crista da onda deste "Surf" que começou com Homero.
VALE DO SOCAVÃO No plano da montanha ensolarada, vario entre o livro e a paisagem. Os gaviões retornam pelas manhãs há mais de 40 dias. Não sei o que querem: a companhia de quem há meses não pronuncia uma palavra? a companhia de quem caminha pelas trilhas como gavião voando pelos ares? Não. Eles reparam em minha presença apenas para se recolherem, esquivos, na altivez – alheios a nada. Deixo restos de frango assado no tronco próximo à casa. Comem-nos. O vento bate em meu rosto, em minhas costas nuas e friorentas apesar do sol. Vejo a clareza límpida do dia, sabendo que sou outro, além do olhar. Algo se move em mim, impossível de ser visto. Algo se move em mim, impossível de ser escutado, cheirado, tocado, degustado... algo se move em mim, para o qual as palavras não se dispõem mas obrigam-me a dizê-lo, após meses de indiferença e mutismo. Tudo em mim, agora, é combustível: difícil ficar ileso aos verdes da manhã, ao trabalho diário, aos acontecimentos que, mesmo corriqueiros, me contaminam. Não há mais ninguém por aqui, e minha existência é viável.