literatura > TropicaosRogério Duarte é uma das personalidades mais instigantes dos anos 1960 no Brasil.
Um dos designers gráficos mais importantes, além de ser um dos idealizadores da Tropicália (junto com caetano Veloso e Gilberto Gil).
Rogério viveu intensamente aquele período.
Tropicaos é o seu primeiro livro, uma descoberta de textos sobre desenho industrial, tropicália e o momento político que o Brasil estava vivendo na época.
Rogério Duarte Guimarães nasceu em Ubaíra, Bahia, no dia 10 de abril de 1939. Se mudou para o Rio de Janeiro em 1961, onde trabalhou em programação gráfica no escritório de Aloísio Magalhães.
Em 1964, cria a sua obra mais famosa, o cartaz do filme “Deus e diabo na terra do sol”, do amigo Glauber Rocha.
Foi um dos mentores teóricos da Tropicália, e criou em 1968 a capa dos discos de Caetano Veloso e Gilberto Gil. Em abril de 1968, é preso e torturado.
Editou, em 1998, uma tradução direta do sânscrito de “Baghavad Gita”.
Atualmente é professor Notório Saber do Departamento de Comunicação da UFBA.
Rogério Duarte é uma espécie de obra de si mesmo, uma “living art” que faz uma viagem em busca de não sabemos bem o quê, que criou uma nervosa inquietação que ficou conhecida como “anos rebeldes”, como sonhos perdidos dos 1970, que depois encalharam nos vazios anos 1980 e que hoje, de tão abstratos, feitos de experiências na carne e na arte, às vezes chegamos a duvidar que tenham sido reais mesmo, que não tenham sido meras aventuras na psicose, diante do inerte corpo plástico de hoje. Glauber disse uma vez a Caetano: “Cinema e música, tudo bem, mas não podemos esquecer que Rogério está por trás disso tudo”. Arnaldo Jabor
"Pode ser que exista um princípio e um fim para as estórias, mas o que de fato interessa é o rio de sangue que corre no meio. No meio, no meio da rua 6 horas da tarde, a polícia e o exército como uma algema em torno da Igreja da Candelária,entre os transeuntes, os agentes da DOPS e do SNI à paisana, o gás lacrimogêneo, as espadas e os cassetetes, eu e Rute assustados nos abraçando ao lado das bombas de fumaça na Avenida Presidente Vargas, e em todos os lados, impedindo a entrada na igreja, a grande porta do medo. Do medo da morte, sobretudo naquela hora do medo de ter nascido para despertar a grande fúria dos exércitos."
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