poesia > Cidade VertigemO que é uma cidade? Como se habita uma cidade? São questões como estas que Afonso Henriques Neto busca responder, no livro Cidade Vertigem que alterna, de forma rara e bela, a poesia e o ensaio.
Ao recuperar algumas das utopias motivadoras da cidade e retratá-la, buscando compreender toda a sua complexidade e excesso, este livro relembra que é só a partir da construção da riqueza de um olhar que podemos nos tornar verdadeiramente cidadãos.
Afonso Henrique Neto nasceu em Belo Horizonte, MG, em 1944. Morou em Brasília entre 1961 e 1971, onde se formou em direito pela UnB. Mudou-se para o Rio de Janeiro em 1972 e é professor do Instituto de Artes e Comunicação Social da Universidade Federal Fluminense desde 1976.
Livros de poesia publicados: O misterioso ladrão de Tenerife (co-autoria com Eudoro Augusto), Goiânia: Oriente, 1972; 2º edição, Rio de Janeiro: Sette Letras, 1997; Restos & estrelas & fraturas, Rio de Janeiro: edição independente, 1975; 2º edição, Rio de Janeiro: Sette Letras, 2004; Ossos do Paraíso, Rio de Janeiro: edição independente, 1981; Tudo nenhum, São Paulo: Massao Ohno, 1985; Avenida Eros, São Paulo: Massao Ohno, 1992; Piano mudo, São Paulo: Massao Ohno, 1992; Abismo com violinos, São Paulo: Massao Ohno, 1995; Eles devem ter visto o caos, Rio de Janeiro: Sette Letras, 1998; Ser infinitas palavras, Rio de Janeiro: Azougue Editorial, 2001; 50 poemas escolhidos pelo autor, Rio de Janeiro: Edições Galo Branco, 2003.
Participou de várias antologias, entre elas 26 poetas hoje (org. Heloísa Buarque de Hollanda), Rio de Janeiro: Editorial Labor, 1976: reeditada pela Editora Aeroplano, Rio de Janeiro, 1998; Correspondencia Celeste - Nueva poesia brasileña (1960 - 2000), ed. Adolfo Montejo, Madrid: Árdora Ediciones, 2001 e Azougue 10 Anos, org. Sergio Cohn, Rio de Janeiro: Azougue Editorial, 2004.
O que é uma cidade? Como se habita uma cidade? São questões como estas que Afonso Henriques Neto busca responder, neste livro que alterna, de forma rara e bela, a poesia e o ensaio. Ao recuperar algumas das utopias motivadoras da cidade e retratá-la, buscando compreender toda a sua complexidade e excesso, este livro relembra que é só a partir da construção da riquesza de um olhar que podemos nos tornar verdadeiramente cidadãos.
há um silêncio tão terrível
tão devastador
sob o arruído azucrinante da cidade
que é sempre melhor
ampliarmos a catástrofe sonora
a propagação alucinada das imagens
ao máximo grau possível
à obscenidade absoluta
e assim afastarmos o vácuo
e assim evitarmos o congelamento
do sangue e do espírito
por esse silêncio infinito
por essa boca vazia de palavra
e sentido
por esse universo cego a pulsar
em sua demência extática
na carne das pedras mais fundas
no carvão dos alicerces inenarráveis.
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