cinema > Por Um Cinema Sem LimitesMuito mais do que uma coletânea de artigos publicados em jornais em meados dos anos 1960 e no início da década de 1980 pelo cineasta Rogério Sganzerla, diretor de obras-primas como “O Bandido da Luz Vermelha” e “Tudo É Brasil”, “Por Um Cinema Sem Limite” nos brinda com uma teoria unitária sobre a ruptura da lógica dramática, que diferencia o cinema moderno do cinema clássico, tradicional. Nestes textos, selecionados pelo próprio autor, o leitor vai encontrar uma reflexão atuante e conseqüente, capaz de transformar o cinema naquilo que ele deve ser: um instrumento de liberdade.
Rogério Sganzerla nasceu no interior de Santa Catarina, em 1946. Aos 18 anos, estreou como crítico de cinema no Suplemento Literário do jornal O Estado de São Paulo. Em 1968, dirigiu “O bandido da luz vermelha”, considerado uma obra-prima do cinema brasileiro. No ano seguinte, filmou “A mulher de todos”, estrelado por sua mulher, Helena Ignez. No começo da década de 1970, fundou com Júlio Bressane a produtora Bel-Air, onde filmou “Copacabana mon amour” e “Sem essa, Aranha”. É autor, ainda, de filmes como “Abismu” e “Tudo é Brasil”. Seu último filme foi “O signo do caos”, finalizado em 2003. Rogério Sganzerla morreu no dia 9 de janeiro de 2004.
Rogério Sganzerla já fazia cinema antes mesmo de aproximar-se de uma câmera, o que pode ser constatado nas páginas que se seguem. Metade destes textos datam do início da década de 1960 e portanto, de antes do curta Documentário e da deslumbrante estréia nos longas com O bandido da luz vermelha, quando seu excepcional talento para a direção revelaria-se de maneira inequívoca. O leitor irá notar que este é um livro afirmativo: as coisas são as coisas são as coisas. Revelação (e não argumentação), como o cinema aqui defendido. Visionário do impuro, Rogério compreendeu que em cinema o sublime está no incerto que só se vislumbra no movimento da procura. Sua teoria e sua prática são indissociáveis da poesia.
Paulo Sacramento
Hoje não se constroem filmes na sala de montagem como insistiram tanto Welles como Hitchcock. Há os que buscam o ângulo, o corte, o efeito. Por outro lado, há os que apreendem o real tal como é – concordando mais uma vez com Godard. Ela parece conter a diferença (André Bazin, ainda) entre os cineastas que acreditam na imagem os que acreditam na realidade. Os últimos são os primeiros clássicos do cinema moderno.
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