poesia > PolivoxO título deste terceiro volume de poemas de Rodrigo Garcia Lopes, Polivox, é bem condizente com o seu conteúdo: nele, o autor pesquisa com grande vitalidade e consistência as diversas vozes da poesia contemporânea, indo do experimentalismo gráfico ao soneto, e passando inclusive pelos hai-cais de seu alter-ego Satori Uso (literalmente Falso Brilhante).
Um livro de largo fôlego experimental, que merece ser lido e relido com atenção, como quase um oráculo da poesia de nosso tempo.
Rodrigo Garcia Lopes nasceu em Londrina (PR), a 2 de outubro de 1965. É poeta, jornalista e tradutor, e co-edita, atualmente, a revista literária Coyote. Traduziu Rimbaud, Sylvia Plath, Laura Riding e Walt Whitman, entre outros. Em 1996, publicou o livro Vozes e Visões, com entrevistas de artistas norte-americanos. É autor dos seguintes livros de poesia: “Solarium” (1994); “Visibilia” (1997); “Polivox” (2002); e “Nômada” (2004).
Rodrigo Garcia Lopes, o “Satori Uso”, é um dos mais notáveis poetas paranaenses da safra novíssima. Me impressiona a falta de provincianismo, a abertura cosmopolita, a coragem da informação difícil, o extremo atrevimento desse londrinense, nada indigno do pioneirismo que levantou, naquela terra vermelha, a cidade mais rápida do Brasil.
Paulo Leminski
POLIVOX
Não há nenhuma voz que seja a minha
nesta manhã sendo desperto pela máquina-de-lavar,
pássaros em gaiolas de vento & Villa-Lobos
Outras vozes a intersectam e se mixam
Com a foz das frases que ainda estou a escrever
e que lentamente olham para mim, me reconhecendo.
E outro sopro de silêncio nos reanima. Línguas
colidem na toxina das ilhas
no exílio de todos os caminhos
(que no entanto não se bifurcam. Escondem-
se — no ontem onde deságuam —
num tumulto de ecos, reflexos numa gruta).
Será a poesia a arte da escuta?
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