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Capa Pelo Colorido, Para Além do Cinzento - A literatura e seus entornos interventivosComprar Livro Pelo Colorido, Para Além do Cinzento - A literatura e seus entornos interventivos
  • Preço
  • 36.00
  • Nº Páginas
  • 222
  • ISBN
  • 9788588338647
ApresentacaoAutorLivroFragmentos

ensaio > Pelo Colorido, Para Além do Cinzento - A literatura e seus entornos interventivos

Em Pelo colorido, para além do cinzento se reúnem ensaios situados na indiscernível fronteira entre teoria, poema, drama, filosofia e prosa, como Roberto Corrêa dos Santos observa com agudeza no prefácio do livro. Pucheu pretende, com o simultâneo lançamento deste e de A fronteira desguarnecida: poesia reunida 1993-2007, sinalizar a passagem do poeta ao ensaísta. O que não significa que um tenha de morrer para o outro poder nascer. Quem já travou contato com algum dos livros do seu percurso poético propriamente dito já poderia adivinhar ali os primórdios e seguir os fios do progressivo desdobramento de um ensaísmo, assim como quando lermos seus ensaios — estes e os vindouros — não conseguiremos afastar de qualquer deles a presença do poeta.
Alberto Pucheu nasceu em 1966, no Rio de Janeiro. É professor de Teoria Literária, da UFRJ, e escritor.Tem os seguintes livros lançados: Na Cidade Aberta (1993, UERJ), Escritos da Frequentação (1995, Ed. Paignion), A Fronteira Desguarnecida (1997, Sette Letras), Ecometria do Silêncio (1999, Sette Letras), Guia conciso de autores brasileiros (2002, Fundação Biblioteca Nacional), este último em parceria com Caio Meira. Pela Editora Azougue lançou os livros A Vida é Assim, Escritos da Indiscernibilidade, A Fronteira Desguarnecida e Pelo colorido, para além do cinzento.
Foi vencedor do Prêmio Mário de Andrade de Ensaio Literário pelo Ministério da Cultura e a Fundação Biblioteca Nacional no ano de 2007.
POESIA AMADA E VIOLAÇÃO NECESSÁRIA. Detenho-me em um escritor que é, acima de tudo, um poeta-pensador. Por preferir a poesia amada à poesia analisada, a primeira providência que devo tomar é me abrir para acolher as diagonais de força que sustentam a poesia da qual me aproximo, consentindo em deixar cair sobre mim a intensidade única do pensamento alheio. Acredito ser esta a necessidade imposta a qualquer pessoa que se disponha à lida com uma escrita que tenha algo de decisivo a dizer: perscrutar o texto para que este revele suas intimidades mais profundas e enigmáticas. Ao tomar uma posição específica, todo escritor privilegia a intensidade de um lugar, desde a qual ele fala. Querendo fazer uma leitura feliz, parto de uma simpatia, de uma freqüentação no pathos dos escritos, que convoca uma ação conjunta com os alicerces que me instigam e que acredito serem os estabelecidos. Por mais rigorosa que possa ser, qualquer interpretação é sempre um desvio sobre determinado verso, sobre determinado poema; é sempre inventiva, e tanto mais quanto mais rigorosa se quer. Abrindo-se para a poesia estudada, a interpretação traz para o cerne de sua vigência tudo o que a possa ajudar a fortalecer a diferença de sua leitura... Como se cada linha tivesse de se manifestar apenas enquanto aquilo para o qual ela é forçada, e não fosse um fenômeno que quisesse apenas ser. Pois um poema e toda uma obra teimam em transcender a toda e qualquer leitura! Sendo lugares de fluxos de sentidos, eles trazem consigo uma possibilidade ainda mais audaz do que aquela exercida por qualquer interpretação passível de se realizar, a não ser que a interpretação queira ser tão instauradora quanto a poesia abordada, sabendo, em um só golpe, aproximar-se dela e, dela, se distanciar. Efetivando uma leitura necessariamente limitada, todo leitor é co-criador de um livro que nunca se esgota; livro babélico que se desdobra, a cada leitura, em mais um. O texto poético é sempre bi-somático: um corpo erótico, ofertado a quem quer que se aventure amorosamente, e um corpo virgem, recatado, que permanece para sempre recluso. Esta virgindade provoca no leitor o ímpeto irresistível de um encontro amoroso, impossível, mas ao qual se lança, feliz pela possibilidade de inventar algumas intimidades surgidas no convívio.
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