poesia > OnzeNo começo da década de 1990, uma nova geração de poetas surgiu no Rio de Janeiro, em torno do CEP 20.000, um evento quinzenal coordenado pelos poetas Chacal e Guilherme Zarvos. Eram poetas que trabalhavam com grande intensidade a oralidade e a performance, criando uma poesia ágil e jovem. Nomes como Michel Melamed, Guilherme Levi, o grupo Boato e Pedro Rocha, que embora o caçula da turma, é o primeiro a estrear em livro com este “11”, onde mostra que sua poesia sobrevive, sim, também no papel.
Pedro Rocha nasceu no Rio de Janeiro, em 1976. É ator e poeta. Foi organizador do evento FalaPalavra, com participação de Chacal, Guilherme Zarvos, Michel Melamed, Guilherme Levi e Ericson Pires. “11” é o seu primeiro livro de poemas.
o pedro não cabe em si
e se esparrama em verso e alma
pelas calçadas do mundo
funâmbulo, flamingo, mamulengo.
o pedro quando escreve
põe a sanfona na língua
e toca como se o corpo
fosse todo cimitarra.
o pedro rocha pra que te pedra
cavalo de um griot
que se abre o bico
a áfrica sobrevoa
soberana
caboclo de muitas palavras
cantor de cinco mil vozes
ator de rua e tablado,
pedro rocha mais que parece, é
poeta em qualquer forma.
Chacal
O MELHOR DO NAMORO É QUANDO ACABA
É poder olhar com bons olhos
aquela pessoa que você passou a odiar tanto.
O melhor do nó é desatar.
Bom é se entender.
Não que eu queira tudo pronto
mas o silêncio é um alívio.
E a melhor coisa do melhor dia da sua vida
é quando chega a hora de dormir.
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