poesia > OceanosOs poemas que formam este volume de estréia de Pedro Cesarino são marcados por uma grande estranheza imagética, por construções de pertubadora beleza. São textos que parecem relativizar o nosso olhar, como o longo poema final, “Nomes”, onde, ao renomear objetos cotidianos, o autor nos apresenta um mundo revitalizado. “Oceanos” é um livro vigoroso, deixando claro que Pedro Cesarino é um jovem poeta que deve ser acompanhado com atenção.
Pedro de Niemeyer Cesarino nasceu em São Paulo, em 14 de agosto de 1977. Formado em Filosofia na USP, é mestre de Antropologia pelo Museu Nacional, onde faz atualmente doutorado sobre tradução de cantos indígenas da Amazônia. É, desde 1999, co-editor da revista Azougue. “Oceanos” é seu primeiro livro de poesia.
Não há ruídos da matéria das ruas na poesia de Pedro. Não há berros dissonantes. Não há contrações do caos. Há frutos doces, pedras, troncos, bromélias, cabaças, planetas entre folhas, casulos. Parece que ele, “do alto do nada”, mas fortemente consolado por dentro, segue as lições da Natureza. Ouçamo-lo com toda atenção, em seu recato. Parece que uma inteligência superior aqui floresce, renovando-se a vida, através dela, para que o mundo se renove também, por nosso esforço.
Leonardo Fróes
O limite estreito traçado nos trilhos do céu.
A divisória do mundo marcada nas águas,
Bem abaixo dos olhos, mas no entanto tão distante
Que o mais leve toque a dissolve em sonhos.
A linha emaranhada no redemoinho da noite.
As linhas todas já confusas. A velha ave
Voando em uma e outra nuvem.
O redemoinho, o delírio de todo sentido
Qual flor faminta, qual ralo tragando
O oceano mais íntimo.
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