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Capa Nuvem Cigana - Poesia e delírio no Rio dos anos 70Comprar Livro Nuvem Cigana - Poesia e delírio no Rio dos anos 70
  • Preço
  • 36.00
  • Nº Páginas
  • 224
  • ISBN
  • 9788588338708
ApresentacaoAutorLivroFragmentos

poesia > Nuvem Cigana - Poesia e delírio no Rio dos anos 70

Nuvem Cigana – poesia e delírio no Rio dos anos 70,conta a história do influente grupo de poetas formado por Chacal, Charles, Bernardo Vilhena e Ronaldo Santos, que ajudou a renovar a poesia brasileira na década de 1970. Na voz dos próprios protagonistas, através de um longo depoimento editado em forma de diálogo. Completa o livro uma rica iconografia, com mais de 100 imagens originais de época, como fotos, cartazes e fac-símiles de textos, e uma ampla antologia de poesia dos autores que fizeram parte do grupo. Assim, é resgatado um importante documento para a compreensão da poesia brasileira contemporânea.
O grupo Nuvem Cigana era Charles, Ronaldo Santos, Chacal, Bernardo Vilhena, Claudio Lobato, Cafi, Ronaldo Bastos, Lucia Lobo, Pedro Cascardo, Dionísio e pelo saudoso Guilherme Mandaro. Um mini-documentário sobre o grupo, com imagens de arquivo e recentes, está disponível no YouTube:

A Nuvem Cigana é um grupo formado por poetas e agitadores culturais, entre eles Bernardo Vilhena, Chacal, Charles Peixoto e Ronaldo Santos, que entre os anos de 1975 e 1980 ajudaram a renovar a cultura carioca, e conseqüentemente brasileira, abrindo espaço para as manifestações que marcaram a geração dos anos 1980. Através de eventos poéticos chamados Artimanha (nome tirado de um poema de Torquato Neto), a Nuvem Cigana criou uma linguagem nova, pop, ágil, que iria desembocar no teatro do Asdrúbal Trouxe o Trombone, na música da Blitz e Lobão, e em séries de TV como a Armação Ilimitada, por exemplo. E as Artimanhas foram mais do que isso: foi nelas que pela primeira vez se sistematizou uma prática de poesia oral no Brasil, que hoje se multiplica em dezenas de eventos. Nuvem Cigana – poesia e delírio no Rio dos anos 70, editado pela Azougue Editorial, conta essa história na voz dos próprios protagonistas, através de um longo depoimento editado em forma de diálogo. Completa o livro uma rica iconografia, com mais de 100 imagens originais de época, como fotos, cartazes e fac-símiles de textos, e uma ampla antologia de poesia dos autores que fizeram parte do grupo. Assim, é resgatado um importante documento para a compreensão da poesia brasileira contemporânea. Mas a Nuvem Cigana não foi apenas um movimento poético ou artístico. Ela é também um dos mais ricos exemplos da contracultura brasileira da década de 1970. A tentativa de se confrontar com o regime vigente, de se construir uma vida em comum, de atuar politicamente de formas novas, de criar uma existência permeável a diferentes experiências, foi levada com alegria e delírio em máximo grau pelo grupo.Nuvem Cigana – poesia e delírio no Rio dos anos 70 torna-se assim um resgate fundamental para a compreensão da história recente do Brasil.
Ronaldo Bastos Eu compus a música “Nuvem Cigana” em parceria com o Lô Borges. É uma música que considero muito emblemática daquele período. Porque ela vinha de uma idéia que era muito cara para nós de tentar juntar o estético com o existencial. Era algo ao mesmo tempo poético, político e que trazia uma informação muito clara do que estávamos vivendo. Essa idéia de circular por onde era possível, levar uma vida estradeira, estar em movimento, que era uma oposição radical à ditadura. E tentar construir um tipo de mito em cima disso tudo. Cafi O Ronaldo Bastos ia muito a Londres, ele tinha um irmão que estava exilado lá, e que nos mandava ácido de vez em quando. E lá ele foi criando essa idéia de fazer uma empresa do tipo da Apple, dos Beatles, aqui no Brasil, com pessoas de diferentes áreas trabalhando sob o mesmo símbolo. Essa era a pretensão da Nuvem Cigana. (...) Ronaldo Santos Tem uma coisa que acho super gozada nessa história toda, que é o fato de a empresa na verdade ser um artifício do Ronaldo. Porque ele era de família rica, e poeta não é profissão. Então tinha muita cobrança da família que ele fizesse algo concreto, palpável, e abriram a empresa para ele ir à luta. E ele ficava por aí procurando algo para fazer com ela. Lembro que uma vez ele passou um tempão nos EUA e voltou com uma idéia de importar máquinas de amendoim, ou de chiclete, não lembro. E é claro que não ia para frente. Dionísio A Nuvem Cigana surgiu da vontade que a gente tinha de participar, de mudar as coisas. Não dava para deixar daquele jeito, mas também não queríamos ir para a luta armada, ou coisa do tipo. Várias vezes fui convidado, mas não era a nossa. Então, começamos a tentar fazer alguma coisa mais ligada à arte. Ronaldo Santos Tem uma frase maravilhosa do Pedro Cascardo, que é “A gente estava cansado de jogar baralho”. Porque o pessoal estava muito sufocado pela ditadura. Mas eram pessoas inquietas, muito interessantes, e é claro que na primeira chance já começaram a agitar novamente. Lúcia Lobo Desde o começo, éramos nós que fazíamos a organização da Nuvem. Eu, o Pedro e o Dionísio. A gente fazia reuniões semanais, toda segunda-feira, e tinha ata e tudo. Aquela era uma loucura organizada. Pedro Cascardo Era engraçado que no meio das reuniões o Ronaldo Santos sempre sumia. E depois descobrimos que ele ia para algum canto dormir... Lúcia Lobo A idéia era que a Nuvem Cigana fosse uma empresa multimídia, então teria um segmento editorial, outro de produção de eventos, outro de cenografia. A intenção era que a gente pudesse viver disso. Ronaldo Santos Pensamos em fazer uma série de atividades com a Nuvem, cenografia, produção, mas o Ronaldo Bastos se lembrou dos “poetas de Copacabana”, que eram o Charles e o Chacal, e que o Charles estava com um livro pronto. (...) Charles Eu me lembro que teve uma votação para decidir o título. Havia duas possibilidades: Creme de lua e Veneno de rato. O pessoal achou a segunda pesada demais. Lúcia LoboCreme de lua, como chamou o livro do Charles, foi o primeiro feito com o selo da Nuvem. Com ele a gente começou a tentar fazer uma distribuição mais organizada dos livros, colocar em algumas livrarias, ter pessoas comissionadas que iam para as portas dos teatros vender. Charles O lançamento foi na casa de Santa, com uma grande festa. Mas ainda não tinha leitura de poesia nem nada, era só uma festa. Pedro Cascardo A gente fez uma grande divulgação, colocou até convite nos postes, e o lançamento foi maravilhoso. Encheu a casa, vendeu quase tudo.