literatura > Morrer“Morrer” é um dos mais contundentes livros da nova literatura brasileira. Utilizando-se de uma linguagem intensa, na fronteira entre poesia e prosa, Guilherme Zarvos revela, ao acertar contas com sua trajetória pessoal, um olhar ao mesmo tempo ácido e generoso sobre a vida urbana neste começo de milênio.
Guilherme Zarvos nasceu em São Paulo em 1957, e vive no Rio de Janeiro desde os dois anos de idade. Poeta, editor e produtor cultural, foi um dos criadores em 1990 do CEP 20,000, um dos principais eventos de poesia do Brasil, do qual até hoje é um dos organizadores. É autor de “Beijo na poeira” (1990), “Nacos de carne” (1992), “Ensaios do povo novo” (1995), “Mais tragédia burguesa” (1998), “Morrer” (2002) e “Zombar” (2004).
Guilherme Zarvos registra, quer queira, quer não, o desencanto de toda uma geração de escritores inconformada com os rumos da cultura brasileira. “Não consegui ser um intelectual próspero”, diz, convencido de que não mudará sua rotina por nada deste mundo. Na mesma linha confessional, em outro trecho, Guilherme Zarvos não se intimida e mais uma vez provoca ao afirmar: “pensei que eu era um intelectual e cada vez me aparece a figura do junkie, dizendo que não tenho jeito, que o meu coração é falar poesia como uma cigarra idosa e depois me guardar com um pulôver, para que uma brisa mais forte não traga complicações para a garganta.”. “Vou como se apagasse a luz”, acrescenta, num dos melhores achados de seu livro. Sua preocupação não é apenas fazer poesia ou fazer prosa, mas transmitir uma inquietação mais profunda, que deixou de existir talvez para a maioria de sua geração.
Wladyr Nader
Querer ficar marcado pois
cada detalhe é belo
As formas ou idéias que
aguçam a inteligência
O que é mais pleno do
que olhar o transbordar
seja da floresta ou de um verso?
O que é belo aguça a inteligência
E a vontade de morrer é não
agüentar a espera de outro dia
É a incerteza do encontro de
outra planta ou texto
Desejando então findar o que aguça
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