poesia > Hoje outro nome tem a chuvaLivro de estréia do compositor e poeta Danilo Monteiro, Hoje outro nome tem a chuva, que aponta novos rumos para a poesia deste começo de século XXI.
Danilo Monteiro nasceu em São Paulo, em 1975. Participou da elaboração da revista Azougue, onde co-editou o caderno Várzea (em parceria com Bruno Zeni e João Leite) entre 1996 e 1997. Poeta e compositor, lançou em 2000 o disco “Lua de 50 centavos”, e participa desde 2003 do grupo Garoa, com o qual lançou um cd-demo em 2004. É membro, desde 2002, do grupo Dolores Boca Aberta Mecatrônica de Artes, na comunidade do Jardim Triana, zona leste de São Paulo (SP), onde luta pela descentralização da oferta de bens culturais, através da criação de uma cena local com oficinas, espetáculos e eventos. “Hoje outro nome tem a chuva” é o seu primeiro livro de poemas.
Os poemas de “Hoje outro nome tem a chuva” nascem tanto da descoberta quanto da criação de uma ordem não aparente. Se a idéia parece ao mesmo tempo estranha e familiar é porque as composições de Danilo Monteiro sublinham a excepcionalidade da vida simples e, simultaneamente, a dimensão comunitária, cotidiana e acessível do sagrado. A forte religiosidade desse mundo não é, porém, de fácil definição.
Bruno Zeni
Certos trabalhos exigem desembaraço
Por exemplo: quando uma maritaca caminha por
um galho para comer flores amarelas
ela não pode paralisar-se com o encantamento disso
pensar numa lista de agradecimentos
ou negar-se à singeleza
Ou então: uma árvore tem muitos segredos porque vive
do céu e do subterrâneo
é palco de circunstâncias exageradamente felizes
principalmente de si mesma
ela não se atrapalha com isso
mas eu sim
um pouco
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