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Capa A Fronteira Desguarnecida - Poesia reunida 1993 - 2007Comprar Livro A Fronteira Desguarnecida - Poesia reunida 1993 - 2007
  • Preço
  • 32.00
  • Nº Páginas
  • 288
  • ISBN
  • 9788588338784
ApresentacaoAutorLivroFragmentos

poesia > A Fronteira Desguarnecida - Poesia reunida 1993 - 2007

Há na obra de Alberto Pucheu, A Fronteira Desguarnecida, uma característica rara na poesia brasileira contemporânea: um projeto. Desde seus primeiros livros, ele nos traz uma investigação coerente e própria em relação à linguagem, sem nunca cair no mero exercício de estilo. Essa investigação pode ser percebida em dois elementos recorrentes de seu texto. O primeiro é a dissolução entre gêneros, especialmente ensaio e poesia. A segunda é a experimentação com fragmentos de discursos ready-made, capturados seja na rua, na televisão ou em mensagens eletrônicas de amigos. É um momento em que o poeta se torna, mais do que um criador, um “arranjador” de textos alheios, para usar o termo por ele mesmo cunhado. Num momento em que a arte se submete cada vez mais a um princípio de realidade, como se precisasse de elementos externos para se autentificar, a obra de Pucheu caminha num sentido inverso: nunca há nele um simples registro ou inventário. Ele se utiliza do discurso alheio para forjar uma expressão própria, informada e experiente. É essa expressão, sempre permeada de beleza e originalidade, que podemos apreciar na íntegra, complementada por uma reunião de entrevistas que demonstram a possibilidade de um projeto consciente e fundamentado na poesia contemporânea, fato muitas vezes negado por alguns críticos atuais. Isso, por si só, já valeria a leitura atenta desse livro. Mas há, acima de tudo e sempre, a poesia.
Alberto Pucheu nasceu em 1966, no Rio de Janeiro. É professor de Teoria Literária, da UFRJ, e escritor. Tem os seguintes livros lançados: Na Cidade Aberta (1993, UERJ), Escritos da Frequentação (1995, Ed. Paignion), A Fronteira Desguarnecida (1997, Sette Letras), Ecometria do Silêncio (1999, Sette Letras), Guia conciso de autores brasileiros (2002, Fundação Biblioteca Nacional), este último em parceria com Caio Meira. Pela Editora Azougue lançou os livros A Vida é Assim, Escritos da Indiscernibilidade, A Fronteira Desguarnecida e Pelo colorido, para além do cinzento.
Percorrido o livro, não se pode deixar de trocar a palavra: percorreu-se uma obra. Este A Fronteira Desguarnecida é, seguramente, uma obra, não no sentido do significado estanque e consolidado, tampouco nas ressonâncias solenes dessa palavra, mas no sentido da homogeneidade, da obsessão, do mesmo, do corpo, do retorno das questões em espiral, do conjunto de formulações, da relevância, do contorno, do vigor e, talvez, sobretudo, da fidelidade à escrita, longe de qualquer veleidade, e sim como necessidade de sustentação de uma forma de vida: gramatofilia.
DE PRÊMIOS, ARMADILHAS E OUTRAS COISAS, NO 2 E não adianta pensar em se entregar ainda mais à vida, largar o emprego medonho, realizar o antigo sonho de ser o que se acredita ser, achando resolvido todo e qualquer problema. Não, não adianta: não somos a solução embolsada, mas isso de que jamais escapamos na busca do impossível horizonte. Somos a vida estendida entre o chão e o abismo, as variações aleatórias que ela mesma, a vida, nos distribui em prêmios e armadilhas, a velocidade com a qual, aturdidos, nunca nos acostumamos. Não, não adianta pensar em se entregar ainda mais à vida supondo baixo o preço a ser pago, mas de receber o que nos é a nossa revelia. Desconhecemos a salvação. Acabamos nos lançando, sim, a uma intensidade maior, e, desprotegidos, sob o risco constante de você só tornará as coisas piores, sob o risco constante do malogro, não vivemos da melhor maneira: mas da maneira possível.