ensaio > Estudos Políticos - Rússia 1905 e 1917Estudos Políticos – Rússia 1905 e 1917, com organização e apresentação de Maurício Tragtenberg, traz três ensaios inéditos no Brasil de Max Weber.
Estes escritos sobre as revoluções russas do começo do século passado são peças fundamentais no pensamento político de Weber.
É neles, também, que o autor apresenta com extraordinária nitidez a sua concepção das tendências de desenvolvimento das sociedades ocidentais nas condições do “alto capitalismo”.
Max Weber (1864-1920) é o principal sociólogo de língua alemã do século XX, autor de clássicos como “Economia e sociedade” e “A ética protestante e o espírito do capitalismo”.
O organizador deste volume, Maurício Tragtenberg (1929-1998) tem identidade bem definida nas ciências sociais no Brasil: a mescla de compromisso ético e pensamento heterodoxo. Sobre ele pode-se consultar Lucia Bruno e Sonia Marrach (org.) Maurício Tragtenberg: uma vida para as ciências humanas. SP, Unesp, 2001.
Ao examinar a situação russa no início do século XX, Weber via tanto a crise de um grande Estado nacional às voltas com os problemas do “recém-chegado” ao cenário do capitalismo mais avançado como o destino histórico que isso lhe reservava. A Rússia ingressa definitivamente no rumo do desenvolvimento especificamente europeu, escreve ele, descartando o socialismo, mesmo em 1917. Sua advertência, porém, é cortante: “É ridículo atribuir ao alto capitalismo atual qualquer afinidade com ‘democracia’ ou mesmo com ‘liberdade’, em qualquer sentido do termo”.
Gabriel Cohn
Para encontrar uma "solução verdadeira" para essa questão de inaudita complexidade, com uma base ampla como quer o programa do Partido Constitucional Democrata, é necessário desenvolver um trabalho muito objetivo e imparcial. Entretanto, com o grau de temperatura que hoje em dia atingiram as paixões sociais e mesmo as puramente políticas, e ao serviço das quais os líderes da extrema esquerda canalizam as esperanças dos camponeses, a possibilidade de executar um trabalho sereno fica totalmente excluída. Devido à política praticada nos últimos vinte anos, já é tarde demais para fazer isso, como já é tarde demais para muitas outras coisas também. E com todo o respeito pela capacidade intelectual dos camponeses - sobre a qual até mesmo os observadores anti-democráticos da Rússia fizeram constatações muito surpreendentes -, não deixaria de ser uma auto-ilusão perniciosa julgar que hoje em dia eles já têm capacidade de fazer uma reforma agrária por conta própria. Um parvenu genial como Napoleão ou um cidadão como Washington, contando com a segurança do poder militar e apoiados pela confiança da nação, poderiam eventualmente criar uma nova Rússia, baseada numa estrutura de pequenas propriedades rurais - mas as monarquias legítimas, bem como um corpo parlamentar novo, ainda em luta por sua subsistência, desentendendo-se à direita e à esquerda, jamais reuniria condições para tanto.
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